Estudo aponta estratégias para o Brasil atingir a neutralidade climática 

A pesquisa fez uso de ações de curto prazo consistentes com os caminhos “net zero” de longo prazo no país, em particular em seus setores econômicos mais relevantes, para a mitigação das mudanças climáticas.  

Foto: FGV

Um estudo realizado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Escola de Administração de São Paulo da FGV (FGVces) apontou janelas de oportunidades em seis grandes frentes para o Brasil zerar suas emissões líquidas de carbono em 2050, a fim de cumprir com seus compromissos assumidos internacionalmente. Além disso, a pesquisa fez uso de ações de curto prazo consistentes com os caminhos “net zero” de longo prazo no país, em particular em seus setores econômicos mais relevantes, para a mitigação das mudanças climáticas.  

Em linhas gerais, as estratégias destacam a necessidade de abordar as políticas de clima e, em especial, as de conservação de florestas, do ponto de vista das pessoas e organizações implicadas na questão. “Para citar um exemplo, os impactos positivos da agricultura de baixo carbono poderiam ser identificados, mensurados e comunicados de forma mais apropriada aos produtores e entidades governamentais”, explica Guarany Ipê do Sol Osório, coordenador do programa Política e Economia Ambiental (PEA) do FGVces.  

Outra necessidade apontada é a de identificar e engajar atores locais, incluindo a população de comunidades tradicionais e os povos indígenas, bem como grupos econômicos com poder de influência local (como as associações e organizações representativas), com potencial para apoiar a formulação e a implementação de políticas públicas compatíveis com metas de emissões líquidas zero.  

“E dado o contexto brasileiro – e especialmente o da região amazônica –, as políticas públicas de clima e de combate ao desmatamento têm de se alinhar às estratégias nacionais de desenvolvimento, além de mirar a geração de renda e a criação de empregos”, acrescenta Osório.  

O estudo integra o projeto Net Zero Political Economy: Exploring how to accelerate the just transformation to net zero emissions in China, Nigeria, India, Indonesia and Brazil, coordenado pelo Climate Strategies e financiado pela Climate Works Foundation. 

Confira abaixo algumas propostas de políticas públicas analisadas noestudo (por setor): 

Mudança de uso do solo e Florestas: 

  • – Instrumentos econômicos para auxiliar na aplicação do Código Florestal; 
  • – Incentivos advindos do setor privado para fins de restauração florestal; 
  • – Incremento das áreas abrangidas por unidades de conservação. 

Energia (transportes): 

  • – Expansão da iniciativa RenovaBio; 
  • – Desenvolvimento de combustíveis alternativos (ao diesel); 
  • – Implementação de programas de certificados de biogás; 
  • – Tratamento preferencial para veículos movidos a biocombustíveis; 
  • – Programas de renovação da frota de caminhões; 
  • – Seguros ou fundos de garantia para grandes projetos de infraestrutura. 

Agricultura: 

  • – Pagamento por Serviços Ecossistêmicos e créditos de carbono; 
  • – Títulos verdes; 
  • – Esquemas de rotulagem para carnes e soja neutras em carbono; 
  • – Adoção de compromissos e metas públicas; 
  • – Expansão da iniciativa RenovaBio. 

Indústria: 

  • – Captura e armazenamento de carbono; 
  • – Hidrogênio verde/azul; 
  • – Mercado de carbono regulado; 
  • – Maior aproveitamento de biomassa (carvão vegetal) na produção de ferro e aço; 
  • – Aproveitamento de subprodutos e resíduos de outras atividades na produção de cimento. 

Resíduos: 

  • – Aumentar o uso de resíduos como fonte de energia, como biogás e biometano de resíduos sólidos urbanos. 

Mercados de carbono (frente transversal): 

  • – Apoiar a melhoria das fontes de dados e coleta; 
  • – Facilitar a cooperação entre atores governamentais e privados para desenvolver sistemas administrativos eficazes; 
  • – Reposicionar o Brasil internacionalmente no âmbito do Artigo 6 do Acordo de Paris, engajando-se com parceiros internacionais e garantindo que as práticas brasileiras sejam efetivas e reconhecidas; 
  • – Fornecer o conhecimento e a infraestrutura necessários para mercados de carbono eficazes; 
  • – Promover a transparência e a integridade entre os atores privados por meio de mercados de carbono voluntários e autorregulados. 

Da Redação | Fonte: FGV


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